Poesia

Por Maurício de Oliveira

Se não existe o sagrado

Se não existe o sagrado O lobo não corre na tempestade, uivando no vento Se não existe o sagrado O céu não tinge os olhares intrigados na noite Se não existe o sagrado O luar não se derrama pelos trigais amarelos Se não existe o sagrado O silêncio nada inspira aos amantes Se não existe o sagrado Não há o frescor do orvalho sobre o cansaço da ciência Se não existe o sagrado A fúria do mar não nos deixa introspectivos Se não existe o sagrado O infinito não é misterioso e revela-se a qualquer tolo Se não existe o sagrado Não há o desconhecido E sem ele nada é Porque nada pode tornar-se.
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